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Órfãos vítimas dos conflitos palestinos.

Pe. Lambert Noben, MO

Estamos no tempo bendito do Advento preparando-nos para um Natal feliz e cheio de paz. No meio de tanta violência, guerras, fome, ódio, miséria… não deixamos de sonhar com uma paz duradoura e completa… só que apenas sonhar não basta: a paz deve nascer em nosso coração e espalhar-se ao nosso redor. Somos nós, juntos, que devemos conquistar e construir esta paz. Boas intenções não bastam, são ineficientes e ineficazes.

Por isso, João Batista nos convida à conversão, a endireitar os caminhos de nosso coração, tirando toda falsidade, egoísmo, mentira, orgulho, agressividade e vingança, para cultivar a mansidão, a bondade e a ternura, o perdão e a misericórdia. Esta é a grande mensagem que Deus nos dá no Natal. Ele, no antigo testamento, como também em quase todas as regiões e religiões da terra é apresentado como um deus terrível, violento, justiceiro e castigador, um deus que mata crianças inocentes e faz acontecer desgraças e cataclismas. Jesus veio a nós como uma criança pobre, fraca, indefesa e acolhedora. Nada de ameaça, nada de vingança ou de castigo, mas apenas bondade desarmada e desarmadora, apenas acolhida simples e carinhosa.  Ele nos ensina que para ser grande, ninguém precisa ser forte, violento e ameaçador, para ser importante não precisa aparecer e exibir-se… Ninguém mais do que Ele conseguiu marcar e transformar o mundo pela sua presença, mesmo se Ele nunca teve fortuna, riqueza, arma ou curso superior… nunca teve função política ou cargo mundano.

Mesmo assim – e talvez seja mesmo por causa disso – Ele incomoda; tentamos abafá-lo e enterrá-lo debaixo de um papai Noel barrigudo e mentiroso, debaixo de um montão de presentes e comidas e bebidas. Papai Noel não nos incomoda, não pede mudança de vida nem conversão e a conversão mais difícil e incômoda é nos tornarmos fracos, indefesos e carinhosos como uma criança. Jesus, “Deus conosco” fez antes de nós esta mudança, esta conversão e mais tarde vai nos anunciar que se não nos tornamos semelhantes a crianças não entraremos no reino dos céus. O mundo se esquece das crianças, despreza as crianças, só respeita o violento, o forte e poderoso, o importante, e por isso é tão difícil se converter a ser como criança, porque nos também seremos rejeitados, esquecidos e desvalorizados. Tornar-se criança é desistir de qualquer forma de poder, opressão, coação, dominação e violência; é desistir de competir para ser o mais poderoso, o mais importante, o mais “mais”. Foi isso que Deus fez na noite de Natal. É esse o seu recado mais importante e mais exigente. Se nós O imitamos nesta sua atitude, seremos construtores de um mundo de paz, de amor, de ternura. Toda violência no mundo é fruto do orgulho, da ganância, da vaidade e da prepotência. A conversão se faz no coração de cada um de nós e depende apenas de nós. Por isso, podemos afirmar que a paz neste Natal depende apenas de nós e está em nossas mãos. Feliz Natal para você, faça o Natal dos outros feliz também.

 

O cansaço, a aspereza, o sofrimento, a dor são elementos da providencia que proporcionam estabilidade e equilíbrio no voo da vida

PAPA FRANCISCOAinda esta manhã eu observei uma cena que só pode ser vista quando se olha de cima: uma gaivota parada, imóvel a pelo menos uma centena de metros. Normalmente, para voar é preciso se movimentar.

O avião é tão estável em voo quanto forte em sua velocidade. Para aterrissar tem que desacelerar. Aos poucos diminui a velocidade, perde altitude e também estabilidade; a estabilidade que só pode ser obtida ao tocar o chão.
Mas essa gaivota estava parada, no ar, há alguns metros de altura. Mesmo assim, voava. Um voo de invejável estabilidade, sem uma vibração. Suas asas, no entanto, abertas ao máximo, desfrutavam o vento que soprava forte lá em cima.
E o vento que a sustentava, dando-lhe estabilidade, era um vento contrário. Graças ao mau tempo a gaivota pode descansar, comentou um amigo.
O cansaço, a aspereza, o sofrimento, as provações e tribulações, as cruzes, as dores são elementos necessários e providenciais, que proporcionam estabilidade e equilíbrio ao voo da vida.
Contrariedades que permitem estar disponível para Deus, que te sustenta em alta altitude. Adversidades que lhe dão confiança para descansar.