Pe. Jan Van Roy, Mo
Superior Geral dos 
Missionários dos Operários
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Pe Joseph e Pe Jan são amigos desde 1947, quando entraram na mesma turma do Seminário Menor, em Argenteuil, Bélgica. Dezenas de anos se passaram, e seu compromisso com o mundo operário continua sempre renovado. Completam nesse ano de 2014 seus 60 anos de vida consagrada a serviço do Reino.


Orações :
Da Missa Votiva pelas vocações à Vida Religiosa

TEMA: O Deus no qual nós, os cristãos, cremos, é um Deus compassivo para com todas as pessoas humanas que são exploradas e que vivem na miséria. Esse Deus, nós o cremos, procura (e chama) pessoas que possam lhe emprestar, gratuitamente, seus pés, suas mãos, sua boca, ou melhor, todo o seu ser, para tornar visível e tangível a compaixão de Deus. Os Missionários dos Operários, seguindo o seu Fundador, Pe. Teófilo Reyn, consagram toda a sua vida a Deus com esse objetivo: eles procuram meios para tornar o mundo do trabalho cada vez mais humano e construir, assim, um mundo onde reine a Justiça e a Caridade.

Leituras : – Ex.3,1-10 :  Chamado de Moisés

–          Mc. 8,1-9 : A multiplicação dos pães

Homilia :

Meus queridos amigos. Eu não sei se vocês já ouviram falar sobre o deísmo. Os partidários do deísmo acreditam que existe um Deus que criou o universo, mas que, após ter terminado sua criação, Ele se retirou nos seus apartamentos. Ele abandonou sua criação; Ele achava que a criação era algo estragado.

O cristão, ao contrário, acredita no teísmo: ele crê que Deus, Criador do universo, se interessa todo o tempo por sua criação, mas, no seu amor criador, Deus confiou sua criação, de uma forma ainda inacabada, ao ser humano. Deus pede que, com nossos talentos, cada um possa trabalhar no aperfeiçoamento e conclusão da obra desta criação: fazer com que o mundo se torne um lugar onde é bom de se viver e, isso, para todos os seres humanos.

Ainda como sinal do seu amor, Deus criou o homem livre, quer dizer, ele pode, na sua liberdade, tomar a decisão ou de colaborar com o plano de Deus e ajudá-lo – cada um com seus próprios talentos, à conclusão e amelhoramento da criação, ou viver egoísticamente: empregar essa criação unicamente para seus interesses pessoais. É o que se faz, infelizmente, com muita freqüência: os poderosos dominam os fracos; no nosso mundo, temos ricos e pobres; os pobres são explorados, usurpados pelos ricos e poderosos.

Contemplando isso, em seu amor, Deus enviou profetas para lembrar aos exploradores os deveres, em criar um mundo de justiça e de caridade; infelizmente, a maior parte daqueles que deveriam ter escutado os profetas, não o fizeram e, mais ainda: mataram-nos. Afinal, Deus enviou seu próprio filho, Jesus de Nazaré. E eles mataram também a Jesus.

As duas leituras que nos escutamos nos falam dessa compaixão, essa piedade que tem em relação aos pobres, àqueles que vivem na miséria.

Reescutemos alguns versículos da primeira leitura (v.7): “Javé disse a Moisés: Eu vi o meu povo humilhado no Egito e eu escutei os seus gritos quando os guardas os maltratavam. Sim, eu conheço os seus sofrimentos! Então, eu desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-los subir para uma terra espaçosa e fértil”.

Escutemos, também, alguns versículos do Evangelho (v 1-3): “Naqueles dias, uma numerosa multidão estava, de novo, reunida e eles não tinham nada para comer. Jesus chamou os seus discípulos e lhes disse: ‘Tenho compaixão dessas pessoas, pois já tem três dias que eles estão comigo e não tem nada para comer’. Se eu os enviar em jejum, de volta às suas casas, eles não suportarão a caminhada, pois alguns vieram de muito longe”.

Mas, para colocar em prática a sua compaixão, Deus quer sempre a colaboração das pessoas humanas. Não raramente, as pessoas chamadas por Deus não respondem diretamente “sim”, ao seu chamado.

Escutemos a continuação da primeira leitura; Deus enviou Moisés: “Vai, portanto! Eu te envio ao Faraó para tirar do Egito o meu povo, os filhos de Israel”. E o narrador da Bíblia continua: “Moisés disse a Deus: Quem sou eu para ir encontrar o Faraó e para libertar do Egito os Israelitas?” Alguns versículos depois, vem a resposta (v.13): “Moisés disse a Deus: Bem! Eu vou ir encontrar os israelitas e lhes dizer: O Deus de vossos pais me enviou a vocês. Mas eles me dirão: ‘Qual é o seu nome? O que eu devo lhes responder?’. E Moisés continuava a encontrar todo tipo de desculpa para não aceitar a missão a ele confiada. Para tudo que Moisés apresenta como razão, Deus dá uma resposta; então, no final, Moisés aceita e, nas mãos de Deus, se torna instrumento pelo qual o povo de Israel é salvo da escravidão no Egito.

O mesmo vemos no Evangelho, quando escutamos as tantas reticências dos discípulos. Os discípulos responderam a Jesus: “Quem poderia dar-lhes todo o pão necessário, uma vez que estamos num lugar deserto?” Mas Jesus não se deixa desencaminhar:“Jesus lhes interrogou: Quantos pães tendes? Eles responderam: Sete. Então, Jesus ordenou a multidão de se sentar no chão. Ele tomou os sete pães, deu graças e o partiu e começou a dar aos seus discípulos para que eles servissem; e eles começaram a servir a multidão. Eles comeram e ficaram satisfeitos”.

Ao longo de toda a história humana, Deus pode fazer milagres, pode libertar aqueles que são oprimidos, cada vez que as pessoas humanas dizem “sim” ao seu chamado e aceitam de ser os pés, as mãos, a boca de Deus. Eu dou alguns exemplos: Graças ao “Sim” que São Bento deu a Deus, ele e seus discípulos, os beneditinos, durante séculos e séculos, ajudaram os povos a se tornarem mais e mais humanos, a ter uma cultura que permite uma vida mais civilizada.

Graças a São Francisco de Assis e seus discípulos, as pessoas humanas compreenderam que o dinheiro não faz a felicidade do homem e que é necessário trabalhar para que se diminua a distância entre ricos e pobres.

Graças a São Camilo de Lelis e seus discípulos, os doentes nos hospitais são tratados de forma mais humana.

Graças a São João Bosco e seus discípulos, os salesianos, há uma grande obra que trabalha para que as crianças abandonadas nas ruas descubram, também elas, uma vida mais humana.

Eu poderia continuar citando alguns nomes. A lista das pessoas que se sentiram chamada a fundar uma Ordem ou uma Congregação Religiosa  para tornar a vida dos seus semelhantes, mais humana, é muito longa. Uma observação: não são apenas os religiosos que trabalharam e trabalham ainda hoje para criar um mundo mais humano: Deus convida também os padres e os leigos a participar a essa missão.

Mas, na humanização do mundo, os religiosos tem uma grande parcela. De fato, graças à forma de viver dos religiosos, quer dizer, em comunidade, de acordo com os três votos, eles são muito mais livres para se dar à missão própria do carisma e da congregação. De fato, graças ao voto de pobreza, os religiosos não devem ficar se preocupando com dinheiro: cada Comunidade Religiosa tem um ecônomo que, através da Caixa Comum, faz com que os coirmãos sejam bem acolhidos, tenham uma casa, comida e que não lhes falte nada para que cada um continue a assumir as tarefas que lhe foram confiadas; graças ao voto de castidade, eles renunciam ao casamento e, portanto, aos deveres que ele teria se assumisse esse estado de vida – seja em relação à sua esposa ou aos seus filhos; graças ao voto de obediência, eles podem considerar seu trabalho, sua missão, como vontade de Deus. De fato, o trabalho que os religiosos realizam, eles não o escolheram, mas isso lhes foi atribuído pela comunidade, representado, na prática, pelo Superior.

Retomemos um pouco os fundadores de Ordens e Congregações religiosas. Nesta lista, encontramos também a figura da pessoa do Pe. Teófilo Reyn, o fundador dos Missionários dos Operários. Lendo a Encíclica social Rerum Novarum, que o Papa Leão XIII publicou em 1894, o Pe. Reyn foi tomado de compaixão pela condição desumana pela qual passava os trabalhadores daquela época. Essa compaixão era tão grande que ele julgou ser necessário deixar a Congregação da qual ele era membro para fundar uma nova Congregação para se ocupar especialmente dos operários; uma família religiosa que trabalharia para melhorar a sua situação. E isso não foi fácil.

Hoje, 120 (cento e vinte) anos após, ainda temos pessoas que se sentem chamadas para se tornar membro dessa Congregação. Eu disse meu “SIM” ao Senhor, tem mais ou menos uns 60 (sessenta) anos, o Nicolau fez também a mesma coisa, a cerca de uns nove meses. Antes de dar o nosso “sim”, também nós tivemos certas dúvidas, certas resistências, um pouco como Moisés ou os discípulos de Jesus; isso é normal e bom, pois é importante discernir claramente se é realmente para isso que Deus nos chama. Um bom discernimento se faz numa atmosfera clama e serena. Fazendo três coisas: rezando, refletindo e pedindo conselho (a alguém mais experiente), quer dizer, procurando responder a questões como: a que é que eu renuncio, tomando essa via e a que é que eu me engajo?

Meus caros jovens: Eu creio que a divina Providência, quer dizer, que Deus nos acompanha na nossa vida. Se um dia vocês conheceram os Missionários dos Operários e se perguntaram a Deus se ele não os chamava a se tornar membro da congregação, será que isso é por acaso ou é da Providência Divina? Encontrar a resposta a essa questão é uma tarefa para cada um de vocês, uma resposta que deve ser dada na vida prática, concreta.

Meus caros amigos, todos os dias eu rezo por cada um de vocês durante as minhas orações e eu peço ao Senhor para que cada um de vocês possa se abrir ao Espírito Santo para que ele possa iluminar e dar-nos a força para fazer a escolha certa para a vida de vocês.

Eu vos convido a rezar, nesse mesmo sentido, não somente por vocês mesmos, mas para todos os jovens que se encontram atualmente diante dessa questão: Deus está me chamando para que? De fato, não agrada a Deus as pessoas que pensam só nelas mesmas, durante as suas orações. Jesus nos ensinou a dizer: Pai Nosso que está nos céus e não Meu Pai…

 

Possamos agora continuar a nossa celebração eucarística na alegria e na gratidão a Deus, que quer ter necessidade de você, de mim, de cada um de nós, para criar um mundo onde reina a Justiça e a Caridade, em uma palavra: o Reino de Deus.

Os Missionários dos Operários celebram a Eucaristia no momento final de seu retiro anual (julho de 2014)

Os Missionários dos Operários celebram a Eucaristia no momento
final de seu retiro anual (julho de 2014)

O modo como a pessoa reza depende da imagem de Deus que traz no coração. Quanto mais correta for esta imagem, mais disposição terá para a oração, e mais confiante e perseverante esta será.

A primeira parábola ensina como a pessoa de fé sabe a quem recorrer, sem se importar com as circunstâncias. Aquele que crê, tem absoluta certeza de ser atendido, mesmo devendo esperar.
Jesus apresenta o Pai como quem jamais decepciona aos que recorrem a ele. Ao pedir, a pessoa recebe; ao buscar, encontra; ao bater, abre-se-lhe a porta. De maneira nenhuma, existe frustração.
É próprio do Pai manifestar seu imenso amor a todos os seus filhos. Da comparação com o modo de agir dos pais da Terra, deduz-se a atitude do Pai do Céu. Se um pai, por pior que seja, jamais frustra as expectativas de seu filho, dando-lhe coisas ruíns, quando lhe pede coisas boas, quanto mais o fará Pai celeste!
Jesus indica qual é o dom principal que devemos pedir ao Pai: o Espírito Santo. E quem se dirige a ele, pedindo esse dom, pode estar certo de que será atendido. A bondade do Pai é insuperável. Jamais um ser humano poderá superar sua misericórdia.
Oração
Espírito de confiança em Deus, dá-me a graça de perseverar na oração, certo de que o Pai atenderá, com bondade, os meus anseios profundos.

Ele mandou alguns discípulos perguntar: “É em você que vamos votar ou devemos esperar outro?”

Este respondeu: “Ide dizer ao indeciso o que está acontecendo: famílias estão comendo diariamente, casas estão sendo construídas para todos, pobres e negros estão estudando nas faculdades, remédios estão sendo distribuídos gratuitamente, tem emprego para os que querem trabalhar; a pessoa humana esta sendo defendida e promovida e não só o capital. A desigualdade social e econômica está sendo combatida…”

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A Comunidade Brasileira dos Missionários dos Operários, na ocasião do Retiro Anual 2014, em Conselheiro Lafaiete - MG.

A Comunidade Brasileira dos Missionários dos
Operários, na ocasião do Retiro Anual 2014,
em Conselheiro Lafaiete – MG.

Senhor Jesus, você que trabalhou, você que é modelo para todos os trabalhadores, você que sempre teve muita compaixão pelos pequenos e pela multidão abandonada: nós lhe confiamos o trabalho e os problemas de todos os trabalhadores e trabalhadoras. Pouse sobre eles o seu olhar misericordioso e libertador! Preserve-os de todos os perigos. Dê a cada um e a cada uma a graça de descobrir o sentido profundo do trabalho, seja físico, seja intelectual.

Que eles encontrem a alegria de poderem ser colaboradores e colaboradoras na obra criadora de Deus; que possam compreender que Deus, nosso Pai, os chamou para continuar sua obra e construir um mundo onde reine a JUSTIÇA E A CARIDADE.

Que por tua graça, cotidianamente os assistindo, possam se santificar pelo seu próprio trabalho e adquirir uma consciência ética no desempenho de sua profissão. Dai-lhes força para que desenvolvam sua autoestima por serem operários e operárias. Concede-lhes a graça de trabalhar pela sua dignidade, se humanizando cada vez mais.

Nós lhe confiamos, também, todos os jovens que estão procurando o primeiro emprego, os desempregados, os doentes, os operários acidentados, os trabalhadores com deficiência, os aposentados, bem como todos aqueles que já morreram. Suscite em nós a solidariedade em relação às suas famílias e a coragem de lhes ajudar em seus sofrimentos. Que eles encontrem em Deus, em sua Palavra de Vida, o Caminho e a Luz para que se realizem verdadeiramente. Que a Igreja e a nossa Congregação sejam, para eles, fonte de libertação, causa de alegria e fermento de unidade e de amor. Que a Sagrada Família os proteja, bem como a todos os membros da família dos Padres do Trabalho.

 

Sagrada Família, protegei-nos!

Os Missionários dos Operários se preparam para celebrar o mês vocacional (agosto de 2014) com orações e variada programação vocacional. Juntos, podemos pedir ao Senhor da Messe que envie mais operários para a sua Messe. Podemos também agradecer a Deus o chamado que Ele nos dirige constantemente e as respostas que vamos dando ao longo da vida.

Rezemos juntos:

ORAÇÃO VOCACIONAL

JESUS CRISTO TRABALHADOR, chamastes o Pe Teófilo Reyn e seus companheiros. Vós lhes destes tão profundo amor pelos trabalhadores e por sua libertação integral. Olhai para a massa de trabalhadores. Os trabalhadores são muitos. Os missionários também precisam ser muitos. Pela intercessão de Maria e José, chamai os jovens, afim de serem Missionários dos Operários. Jovens, que gratuitamente, consagrem suas vidas à Humanização e Evangelização dos trabalhadores. Jovens que alegremente continuem sua obra. Isso, confiantes na vossa Providência, vos pedimos, Vós, que viveis e reinais, com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém