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Política e Religião? Por quê? Pra quê?

Pe. Lambert Noben, MO


Jesus nos propõe uma sociedade diferente, não baseada na disputa, mas no respeito, no serviço, na partilha e na fraternidade; onde os pequenos e os fracos sejam protegidos e promovidos, onde predominam a reconciliação, o perdão e os direitos de todos.
Mesmo se nós achamos que somos um dos países mais cristãos do mundo, percebemos que os valores do Evangelho ainda não permearam nossa vivência do dia a dia; muitos preconizam o ódio, a vingança, os privilégios de uma minoria que se enriquece cada vez mais a custo de uma multidão de pobres cada vez mais pobre. Para muitos, levar vantagem e manter privilégios é a lei maior e a única que entendem. A função fundamental de Evangelho não é de criar privilegiados, mas uma sociedade onde todos tenham seus direitos garantidos, uma sociedade humanizada onde o governo exerce a função de defensor dos direitos dos indivíduos, protegendo os mais fracos e indefesos, e mesmo se o estado é laico, ele não pode pisar estes direitos fundamentais, já que a própria constituição disse que todos os cidadãos são iguais perante a lei. O Evangelho, mesmo que ele não seja político, apresenta um novo tipo de sociedade e de convivência humana onde todos são irmãos e irmãs, com direitos iguais e onde os governantes não são donos, mas servidores: ao serviço não de uma minoria, ou de um partido, mas ao serviço de toda a nação.Pensávamos ter escolhido um novo congresso; e o que a gente lê nos jornais e vê na TV? Aqueles que deveriam cuidar de nosso povo e de seu bem estar até hoje não fizeram nada a não ser cuidar de si mesmos; uns querem se vingar por não terem sido eleitos, outros estão fazendo chantagem para conseguir alguma vantagem pessoal, muitos pensam, “quanto pior, melhor”, a única coisa com que não se preocupam e até querem impedir a qualquer custo é que a vida de nosso povo melhore e que o verdadeiro progresso social aconteça. É o que chamo politicagem da pior espécie: “desde que eu leve vantagem política, estou satisfeito, mesmo se para isso devo impedir que o bem se faça e que o pobre e pequeno seja promovido” Como dizia alguém: a única coisa que me interessa é que aquilo produza dividendos políticas. O povo é um detalhe. O político esquece que ele é um servidor do povo (muito bem pago por ele); o político é o senhor todo poderoso, ele não é finalidade da política mas apenas um instrumento cuja única finalidade é promover o bem comum.

Pe. Lambert Noben, MOconsciencia

Existe uma diferença enorme entre conscientizar e manipular: conscientizar é ajudar uma pessoa a refletir e pensar com a própria cabeça e tomar suas decisões conscientemente e de modo autônomo enquanto manipular é fazer com que a pessoa não pense, mas faz cegamente o que outro alguém quer e decidiu. Pensar é difícil, cansa… e tomar responsabilidade da sua decisão incomoda. Por isso é mais fácil obedecer cegamente, sem pensar, pois assim, a responsabilidade é toda do manipulador. Para manipular existem varias táticas muito eficazes. A primeira é o medo, a ameaça do castigo: o inferno e o capeta são muito poderosos como meios de amedrontar alguém, usado fartamente nas religiões. Outro é dar o sentimento da superioridade; nós somos os melhores, só nos seremos salvos, só nós temos a verdade, nós somos a super-raça, só nós somos justos, só nós temos direitos. O grupo que assim se acha superior se deixa manipular pelos seus lideres e não quer saber se os outros são menos importantes: acreditam na sua superioridade e farão qualquer coisa para comprovar esta superioridade, tentando subjugar, oprimir e ate exterminar os outros. Hoje com os meios de comunicação, manipular a opinião pública é muito fácil, recebemos informações parciais, destroncadas e achamos que somos bem informados enquanto só ouvimos uma parcela da verdade e só ouvimos um lado. Esta manipulação é usada fartamente nos tempos das eleições e nas campanhas políticas. Achamos que somos bem informados e no fundo pensamos com a cabeça dos formadores de opinião.

Conscientizar é exatamente o contrário; é mostrar os vários aspectos da situação, dar informações completas, exatas e objetivas, mostrar os prós e contras, as consequências e as várias opções e depois deixar a pessoa, ela mesma, fazer suas escolhas e decisões assumindo plenamente a responsabilidade de seus atos. Conscientizar é respeitar o outro, tratá-lo com pessoa adulta e responsável e não como “marionete” manipulada sem capacidade de pensar e agir. Conscientizar é mostrar ao outro que ele é “sujeito” e não objeto, que ele tem valor e capacidade e que não precisa ninguém dizer-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer. Deus nos criou livres e não podemos abrir mão desta liberdade, sob pena de deixar de ser pessoa, Deus não quer escravos, mas filhos adultos e responsáveis, porque só uma pessoa livre é capaz de amar, só uma pessoa consciente pode se chamar de gente.

Tempo de eleições; você pensou ou se deixou manipular, sua opinião é objetiva ou você se deixou levar por atitudes irrefletidas ou preconceituosas? Você usou varias fontes de informações alternativas ou ficou escravo de seu canal de televisão? Você procura só seu proveito mesquinho particular ou você pensou na coletividade? Você olhou a atuação social passada de seu candidato ou acredita em promessas mirabolantes e mentirosas? Ser gente, adulta e responsável é difícil e exigente, quem sabe você prefira continuar sendo manipulado, irresponsável e infantil? Seria pena mas até isso e decisão sua?