Nós (Os Missionários dos Operários), queremos promover o trabalho humano que é um fator de comunhão ou de socialização, se nós colocarmos de lado o egoísmo e todos os outros “ismos” e compreendermos que: “TODO HOMEM É MEU IRMÃO!”.

"Vinde após mim e eu farei de vocês, pescadores de homens"

“Vinde após mim e eu farei de vocês, pescadores de homens”

Fazendo isto, queremos, sobretudo, promover as condições sociais e materiais dos trabalhadores que nos são confiados, bem como suas famílias. A Obra da Criação está inacabada e nós estamos convencidos de que Deus tem necessidade de todos os homens de boa vontade para harmonizar o mundo, por meio de seu trabalho. Assim, todas as obras dos Padres do Trabalho são voltadas para o objetivo de “humanizar e evangelizar o mundo do trabalho, afim de que ele seja mais fraterno”. (Art. 3 Const.)

Não é possível compreender a fundação da Congregação dos Missionários dos Operários, “Os Padres do Trabalho”, sem entender a situação religiosa, social e econômica da Europa e da Bélgica em particular no século XIX. Por muito tempo, a Bélgica, fiel a seu passado, estava profundamente cristã, até na sua legislação. Em 1879, foram promulgadas leis que tiravam do ensino primário seu caráter cristão, o que forçou os bispos a deslanchar um movimento violento de reação. A Bélgica considerou o Núncio Apostólico “personna non grata” e rompeu suas relações com Roma.
O Governo tomou atitudes anticlericais, o que provocou uma onda de descristianização. Pio XI reconheceu que a grande falta da Igreja no século XIX foi de ter deixado o povo se separar da Igreja. Uma das razoes dessa situação foi o fato de que a Igreja não se posicionou na defesa da justiça cristã. A modernização da indústria levou à falência muitas pequenas oficinas, o que acabou com as antigas corporações que defendiam os direitos dos operários. Nas grandes indústrias imperava a lei da oferta e da demanda. O que importava era o lucro a qualquer custo. O salário mínimo não era assegurado; o que valia era diminuir o salário e aumentar o tempo de trabalho. Quem tomou a defesa dos operários, naquele tempo, contra os abusos do capitalismo foi o socialismo e o comunismo. Isso levou ao movimento de greves de 1886. Os patrões, muitos católicos, achavam que a organização econômica que assegurava seus benefícios era a única possível. Eles se recusavam a reconhecer os sindicatos.

Pe. Joseph Jean Victor Henrotte é pioneiro da Congregação dos Missionários dos Operários. no Brasil. Junto com os coirmãos Pe. de Man e Pe. Staf Schoovartz, inJeffhenrotteiciou as obras apostólicas dos MO’s em novembro de 1963, na antiga fazendinha do Caladinho, em Coronel Fabriciano. Três anos mais tarde (1966), volta para sua terra natal, Bélgica, até se aposentar no Ensino Profissionalizante. É missionário em Conselheiro Lafaiete desde 1991, prestando incansável serviço pastoral especialmente nas Comunidades mais afastadas, na pastoral paroquial e, depois de alguns anos, na desafiante Pastoral Carcerária. Aos 83 anos, é exemplo de que a árvore plantada à beira do Rio da Vida não seca e não murcha, mas permanece cheia de seiva e de frutos abundantes. Os Missionários dos Operários da Comunidade Brasileira se orgulham de sua presença luminosa e seu testemunho arraigado no seio de nossa fraternidade.  

Qual era a atitude dos bispos naquele momento? O bispo de Liège, Dom Doutreloux, organizou em 1887, 1888 e 1890 três congressos de “Obras Sociais”. O padre jesuíta, van Tricht, na ocasião de uma conferência em Antuérpia, depois das greves violentas de 1886 não propõe as reformas políticas e econômicas necessárias. Ele se contenta em fazer um apelo à consciência dos patrões cristãos e dos cristãos em geral. Diante de uma comissão de inquérito, ele só apresenta os fatos de exploração:

– jornada de trabalho pesado, por um salário derisório;

– horas de trabalho estendidas sem medida;

– operários machucados, aleijados no canteiro de obras e despedidos sem nenhuma compensação;

– contratos de quinzenas injuriosamente violados;

– o trabalho recusado, não pago, mas que mesmo assim é vendido;

– as lojas do patrão, onde se vende ao operário mercadorias alteradas;

– mulheres que tomam o lugar do homem, porque seu salário é menor;

 

– crianças de até 10 e 8 anos que passam a noite diante de teares, obrigados a cantar, para não adormecerem;