Pe. Lambert Noben, MOconsciencia

Existe uma diferença enorme entre conscientizar e manipular: conscientizar é ajudar uma pessoa a refletir e pensar com a própria cabeça e tomar suas decisões conscientemente e de modo autônomo enquanto manipular é fazer com que a pessoa não pense, mas faz cegamente o que outro alguém quer e decidiu. Pensar é difícil, cansa… e tomar responsabilidade da sua decisão incomoda. Por isso é mais fácil obedecer cegamente, sem pensar, pois assim, a responsabilidade é toda do manipulador. Para manipular existem varias táticas muito eficazes. A primeira é o medo, a ameaça do castigo: o inferno e o capeta são muito poderosos como meios de amedrontar alguém, usado fartamente nas religiões. Outro é dar o sentimento da superioridade; nós somos os melhores, só nos seremos salvos, só nós temos a verdade, nós somos a super-raça, só nós somos justos, só nós temos direitos. O grupo que assim se acha superior se deixa manipular pelos seus lideres e não quer saber se os outros são menos importantes: acreditam na sua superioridade e farão qualquer coisa para comprovar esta superioridade, tentando subjugar, oprimir e ate exterminar os outros. Hoje com os meios de comunicação, manipular a opinião pública é muito fácil, recebemos informações parciais, destroncadas e achamos que somos bem informados enquanto só ouvimos uma parcela da verdade e só ouvimos um lado. Esta manipulação é usada fartamente nos tempos das eleições e nas campanhas políticas. Achamos que somos bem informados e no fundo pensamos com a cabeça dos formadores de opinião.

Conscientizar é exatamente o contrário; é mostrar os vários aspectos da situação, dar informações completas, exatas e objetivas, mostrar os prós e contras, as consequências e as várias opções e depois deixar a pessoa, ela mesma, fazer suas escolhas e decisões assumindo plenamente a responsabilidade de seus atos. Conscientizar é respeitar o outro, tratá-lo com pessoa adulta e responsável e não como “marionete” manipulada sem capacidade de pensar e agir. Conscientizar é mostrar ao outro que ele é “sujeito” e não objeto, que ele tem valor e capacidade e que não precisa ninguém dizer-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer. Deus nos criou livres e não podemos abrir mão desta liberdade, sob pena de deixar de ser pessoa, Deus não quer escravos, mas filhos adultos e responsáveis, porque só uma pessoa livre é capaz de amar, só uma pessoa consciente pode se chamar de gente.

Tempo de eleições; você pensou ou se deixou manipular, sua opinião é objetiva ou você se deixou levar por atitudes irrefletidas ou preconceituosas? Você usou varias fontes de informações alternativas ou ficou escravo de seu canal de televisão? Você procura só seu proveito mesquinho particular ou você pensou na coletividade? Você olhou a atuação social passada de seu candidato ou acredita em promessas mirabolantes e mentirosas? Ser gente, adulta e responsável é difícil e exigente, quem sabe você prefira continuar sendo manipulado, irresponsável e infantil? Seria pena mas até isso e decisão sua?

caridade e justiça

Os Missionários dos Operários trazem a notícia de que também com a política e por meio dela, devemos ajudar na Construçao de um mundo mais Justo e Fraterno. Afinal de contas, política bem feita é aquela que está a serviço da Vida Humana em Plenitude.

Nesta preparação para as eleições de Outubro, a Igreja não cansa de dar suas orientações para todos nós, povo de Deus. Ela insiste muito para evitar certas atitudes errôneas, e para agir conscientemente.  A primeira atitude errada que devemos todos nós evitar é a abstenção, o voto em branco, o voto nulo. Não votar e a pior maneira de fazer política; é a política do avestruz, do irresponsável que assim contribui para que tudo continue como está, uma sociedade altamente desigual onde o dinheiro continua mandando como deus supremo e absoluto trazendo atrás de si um mundo de miséria e sofrimento para as grandes multidões dos “sem nada”. Infelizmente, tem ainda gente que acha que nós somos espíritos puros e desencarnados que não vivem nesta terra, que não precisam morar, comer, vestir, estudar e cuidar da saúde.

Outra atitude que devemos evitar é colocar um cabresto nos outros e recusar que coloquem um cabresto em nós. Tem ainda gente que quer mandar em quem devemos votar, como se nós não tivéssemos uma cabeça para pensar e uma capacidade de distinguir entre o bom e o mau. Cada um é livre e responsável perante Deus, perante a sociedade e sua consciência; esta liberdade e responsabilidade, não podemos transferir para ninguém. È claro que podemos nos informar, conversar, dialogar, mas a decisão última é nossa, e ninguém tem o direito de nos coagir por qualquer meio e por qualquer motivo que seja. Quem se deixa “adestrar” e manipular abre mão de sua dignidade de gente, de pessoa e vira burro.

Por este motivo, a Igreja não tem partido político nem candidato, mas tem princípios e valores e estes devem prevalecer na sua escolha: o grande valor é a vida e a vida plena. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundancia.” dizia Jesus. Vida não é apenas sobrevivência, mas vida em plenitude é saúde, alegria, dignidade, bem estar, desenvolvimento de todas as suas dimensões e potencialidades, segurança e convivência social. Para você escolher seu candidato você tem que olhar quem tem condições melhores para promover esta vida em plenitude, não apenas para seus amigos e correligionários, mas para todos os homens e mulheres, idosos e crianças neste imenso país.Tem político que pensa que é a pessoa mais importante e que o mandato é dele, ele esquece que está representando um grupo de pessoas  e que não pode  decepcionar ou trair estas pessoas.

Por tudo isso, querido eleitor, querida eleitora, dê nos bons e honestos administradores, pessoas que usam seu mandato, não para levar vantagem pessoal, não para fazer dele uma profissão lucrativa e permanente, mas um serviço à coletividade. Dê nos deputados e senadores que fazem leis não em proveito próprio, mas para o bem de toda a nação, promovendo a justiça social e o fim da desigualdade. Livra-nos dos corruptos, dos mentirosos, dos sujos, dos oportunistas, não vende seu voto por um pequeno favor pessoal castigando nós durante quatro anos com um vigarista no poder. Chega de maus politiqueiros, merecemos melhor, mas depende de você.