joshenrotte

Pe Joseph Henrotte, então jovem sacerdote, parte para a Fundação dos Missionários dos Operários, na América Latina. (novembro 1963)

(Parte IV)

Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO

 

Os primeiros Padres do Trabalho se estabeleceram em Seraing, cidade industrial da periferia de Liège. A casa foi chamada a “Casa dos Operários”. Além da moradia dos padres, a maior parte da casa abrigava o alojamento, o refeitório, sala de descanso, uma capela. O sucesso foi imediato assim como o espanto de verem padres tomando a refeição no meio dos operários, quando eles mesmos não faziam o serviço à mesa. Era, de verdade, o “contato imediato com os operários”.

O fato teve uma repercussão internacional. Os padres não se limitavam à acolhida dos operários, eles os ajudavam na solução de suas dificuldades administrativas, criaram cooperativas operárias, entre outros serviços.

Um diário da época escreve: “Esta sociedade de Padres do Trabalho, de origem, de finalidade e de tendências democráticas, é como um renascimento do Evangelho e da Igreja primitiva. Como ela nos lembra bem os doze pobres pescadores saindo para a conquista do mundo”.

Eles se arriscavam a participar de reuniões onde se aceitava a contradição de adversários ou se levava a contradição nas reuniões de adversários, os socialistas da época, ferrenhos opositores da Igreja.

Apesar do pequeno número de padres, eles fundaram casas em várias cidades à pedido dos bispos. No entanto, a situação política mudou com a representação do povo no âmbito político.

A situação dos operários melhorava rapidamente com o reconhecimento de seus direitos. A ajuda financeira do início diminuiu abruptamente, quando os Padres do Trabalho se posicionaram a favor da democracia cristã e foram acusados de hipersocialistas.

A Congregação acumulou dívidas e os albergues não eram mais uma necessidade. A formação dos candidatos, dos seminaristas, não era exigente o bastante. Muitos até se sentiam atraídos, mas diante do peso do trabalho, desistiam.

É uma História de muita luta, resistência, organização, mobilização que sempre buscou ir além das fronteiras da categoria representada.

Nossa homenagem a todos(as) metalúrgicos(as) que fizeram e fazem parte desta bela História.

Pe. Ferreirinha, como é conhecido na Região Industrial de Contagem, dedica a homenagem recebida a diversos de seus históricos parceiros: história construída em mutirão.

Pe. Ferreirinha, como é conhecido na Região Industrial de
Contagem, dedica a homenagem recebida a diversos de seus
históricos parceiros: história construída em mutirão.

Agradeço de coração a homenagem a mim prestada por ocasião das festividades dos 80 anos deste Sindicato. Senti-me ao mesmo tempo surpreso e honrado. De fato, como padre, minha participação aqui na Região Industrial desde 1982 foi sempre mais no âmbito das lutas sociais, populares e religiosas. As manifestações, as caminhadas, e principalmente a Missa dos Trabalhadores na Praça da Cemig sempre fizeram parte de minha atuação Pastoral nestes 32 anos de presença em Contagem. E o Sindicato dos Metalúrgicos sempre presente como um grande e valioso parceiro.

Por isso dedico o troféu a mim enviado, em primeiro lugar, à minha Congregação dos Missionários dos Operários (Os Padres do Trabalho), através da qual pude, posso e devo dedicar –me para que haja mais JUSTIÇA E CARIDADE no Mundo do Trabalho.

Quero dedicar, também, a todos os trabalhadores e trabalhadoras que são os protagonistas principais de todas as conquistas trabalhistas, sociais e políticas nestes 80 anos de luta.

Dedico a todos os sindicatos, organizações, associações e movimentos que dedicaram e continuam se dedicando pela Humanização do Mundo do Trabalho.

Quero dedicar de maneira especial ao MTC/ACO, do qual faço parte como assistente eclesial, que tanto me ensinou e me apoiou em minha vocação de Padre do Trabalho.

 

Mas a luta não para! A vida é dinâmica! Novos desafios se apresentam para a Classe Trabalhadora! O Capitalismo voraz, a economia de mercado, a ilusão do consumismo deixa muitos cegos diante de uma realidade desumana e insustentável para a maioria dos trabalhadores(as) com uma carga horária absurda e um salário insuficiente para viver com dignidade. São questões novas que teremos que enfrentar. Que os 80 anos de experiência nos ajudem a olhar para frente com ânimo, coragem e fé no Deus da Vida. É como dizia o Cardeal Cardjin, fundador da JOC (Juventude Operária Católica) no final de cada avaliação: E AGORA, AVANTE!

Pe. José Ferreira Filho mo