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Pe Joseph Henrotte, então jovem sacerdote, parte para a Fundação dos Missionários dos Operários, na América Latina. (novembro 1963)

(Parte IV)

Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO

 

Os primeiros Padres do Trabalho se estabeleceram em Seraing, cidade industrial da periferia de Liège. A casa foi chamada a “Casa dos Operários”. Além da moradia dos padres, a maior parte da casa abrigava o alojamento, o refeitório, sala de descanso, uma capela. O sucesso foi imediato assim como o espanto de verem padres tomando a refeição no meio dos operários, quando eles mesmos não faziam o serviço à mesa. Era, de verdade, o “contato imediato com os operários”.

O fato teve uma repercussão internacional. Os padres não se limitavam à acolhida dos operários, eles os ajudavam na solução de suas dificuldades administrativas, criaram cooperativas operárias, entre outros serviços.

Um diário da época escreve: “Esta sociedade de Padres do Trabalho, de origem, de finalidade e de tendências democráticas, é como um renascimento do Evangelho e da Igreja primitiva. Como ela nos lembra bem os doze pobres pescadores saindo para a conquista do mundo”.

Eles se arriscavam a participar de reuniões onde se aceitava a contradição de adversários ou se levava a contradição nas reuniões de adversários, os socialistas da época, ferrenhos opositores da Igreja.

Apesar do pequeno número de padres, eles fundaram casas em várias cidades à pedido dos bispos. No entanto, a situação política mudou com a representação do povo no âmbito político.

A situação dos operários melhorava rapidamente com o reconhecimento de seus direitos. A ajuda financeira do início diminuiu abruptamente, quando os Padres do Trabalho se posicionaram a favor da democracia cristã e foram acusados de hipersocialistas.

A Congregação acumulou dívidas e os albergues não eram mais uma necessidade. A formação dos candidatos, dos seminaristas, não era exigente o bastante. Muitos até se sentiam atraídos, mas diante do peso do trabalho, desistiam.

No Congresso de 1890, participaram o cardeal belga e nove bispos da Bélgica, da França, da Espanha, da Inglaterra e da Alemanha. Além dos bispos, se encontravam ali delegações da Alemanha, da França, da Inglaterra, da Suíça, da Áustria, do Portugal, da Itália.

Papa Leão XIII

 

 

 
Chegou o ano de 1891 e a parução da Encíclica “Rerum Novarum”, do papa Leão XIII.Duas questões importantes foram abordadas: a legitimidade das greves e a legitimidade das reinvidicaçoes dos operários, mas não foram discutidas pelo Congresso, porque se achava que faltava estudos a este respeito.

Esta Encíclica retomava a questão da legitimidade das reinvidicações dos operários e da mesma maneira que foi apresentada no Congresso de Liège do ano anterior. Essa Encíclica não foi aceita por muitos católicos.

 

 

 

 

 

"Das coisas novas"

“Das coisas novas”

 

 
No discurso de abertura do Congresso das Obras Sociais de Liège, de 1887, o Bispo Dom Doutreloux disse: “Um dos mais importantes industriais de minha diocese, pediu que eu colocasse no programa do Congresso, a questão de saber se não seria oportuno de criar uma obra de ‘Padres do Trabalho’”, que estariam em contato direto com os trabalhadores e formariam, de certa forma, uma obra de “Propagação da Fé no meio operário”. O bispo continua dizendo que a ideia não é tão teórica e que se poderia pensar. É assim que foi criado o nome de “Aumônier du Travail”.Quando chegou a Encíclica “Quadragésimo Anno”, um comunista francês criticava os católicos dizendo: “Não são as encíclicas que nós censuramos, mas o desprezo com o qual vocês a trataram”.

Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO