Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO

Ir José Nicolau Vieira, MO

 

Em 1898, o Pe Reyn recebeu uma proposta de começar uma Escola Técnica no sul do país, como já havia na França. A escola começou a funcionar em 1899. A empreitada deu certo. A casa conseguiu se auto-financiar, o que deixou entrever uma solução para o problema das dívidas dos albergues. Pouco a pouco, todas as casas da Congregação se tornaram escolas técnicas.

A primeira delas foi a Escola Técnica de Pierrard Virton, ainda em 1899. De lá para cá, outras 13 escolas foram erigidas. Os Padres do Trabalho exerceram ali seu ministério sacerdotal de maneira inserida, próxima e cultivando os valores sonhados pelo fundador, Pe. Teófilo Reyn, que encontram seu fundamento no Evangelho: a solidariedade, o amor, o perdao, o gosto pela beleza, o cuidado com o outro, o maravilhamento e a defesa da Ecologia.

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A Escola Técnica dos Padres do Trabalho, em Conselheiro Lafaiete, atualmente sob regime federal de ensino.

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Pe Alfhons Van Looveren, MO dirige momento de encontro e reflexão com os alunos do AUMONIERS DU TRAVAIL TECNIQUE, Charleroi, Bélgica.

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Momento de reflexão e oração antes do início das aulas, dirigido pelo Ir. José Nicolau Vieira, MO, na Escola Técnica Kimbeimbe, em Lubumbashi, República Democrática do Congo.

Assim, nao seria correto analisar o Apostolado MO nas escolas de formaçao técnica pelo viés simplesmente da formação de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho. A nossa preocupação fundamental sempre foi, pelo contrário, com a humanização dos valores e costumes dos jovens, para que pudessem ser mais gente e, consequentemente, mais felizes. Estamos convictos das palavras do Mestre: “De que vale o homem conquistar o mundo inteiro se perder a própria vida?”. Os Padres do Trabalho, enquanto Missionários dos Operários querem semear, por meio de qualquer uma de suas obras, a consciência de que o trabalho humano é participação na obra criativa de Deus Pai e, portanto instrumento de serviço à humanidade e santificação em Jesus Cristo. A cruz do trabalho, como a cruz de Cristo, gera vida nova, gera ressurreição para toda a humanidade

Atualmente, mesmo que o número de Padres do Trabalho na Bélgica está reduzido a pouco mais de 10 e todos aposentados pelo ensino, a formação de jovens continua com o mesmo espírito sob a direção dos leigos.

                                         

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Pe Joseph Henrotte, então jovem sacerdote, parte para a Fundação dos Missionários dos Operários, na América Latina. (novembro 1963)

(Parte IV)

Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO

 

Os primeiros Padres do Trabalho se estabeleceram em Seraing, cidade industrial da periferia de Liège. A casa foi chamada a “Casa dos Operários”. Além da moradia dos padres, a maior parte da casa abrigava o alojamento, o refeitório, sala de descanso, uma capela. O sucesso foi imediato assim como o espanto de verem padres tomando a refeição no meio dos operários, quando eles mesmos não faziam o serviço à mesa. Era, de verdade, o “contato imediato com os operários”.

O fato teve uma repercussão internacional. Os padres não se limitavam à acolhida dos operários, eles os ajudavam na solução de suas dificuldades administrativas, criaram cooperativas operárias, entre outros serviços.

Um diário da época escreve: “Esta sociedade de Padres do Trabalho, de origem, de finalidade e de tendências democráticas, é como um renascimento do Evangelho e da Igreja primitiva. Como ela nos lembra bem os doze pobres pescadores saindo para a conquista do mundo”.

Eles se arriscavam a participar de reuniões onde se aceitava a contradição de adversários ou se levava a contradição nas reuniões de adversários, os socialistas da época, ferrenhos opositores da Igreja.

Apesar do pequeno número de padres, eles fundaram casas em várias cidades à pedido dos bispos. No entanto, a situação política mudou com a representação do povo no âmbito político.

A situação dos operários melhorava rapidamente com o reconhecimento de seus direitos. A ajuda financeira do início diminuiu abruptamente, quando os Padres do Trabalho se posicionaram a favor da democracia cristã e foram acusados de hipersocialistas.

A Congregação acumulou dívidas e os albergues não eram mais uma necessidade. A formação dos candidatos, dos seminaristas, não era exigente o bastante. Muitos até se sentiam atraídos, mas diante do peso do trabalho, desistiam.

Quem seria o fundador dos Padres do Trabalho era membro da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração (MSC), o Pe Teófilo Reyn, que ocupava o “segundo lugar” naquela Congregação.

Os irmãos do MSC desejavam assumir a missão no meio operário. Diante da impossibilidade de sua Congregação se dedicar a este serviço, ele e alguns de seus companheiros pediram e obtiveram dispensa de seus votos e se apresentaram ao Bispo de Liège, para realizar seu sonho de constituir a obra dos Missionários do Operários. Era o ano de 1893.

Em janeiro de 1894, Dom Doutreloux concedeu ao Pe Reyn uma paróquia operária nos subúrbios de Liège. Aceitou também os companheiros de Pe Reyn em seu Seminário.

 

No dia 21 de novembro de 1894, dia da Apresentação de Nossa Senhora, foi oficializada a criação de uma sociedade de padres, Padres do Trabalho, para se dedicarem ao apostolado no meio operário.

Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO

Pe. Théophile Reyn, Fundador e Primeiro Superior Geral dos Missionários dos Operários

Pe. Théophile Reyn, Fundador e Primeiro
Superior Geral dos Missionários
dos Operários

No Congresso de 1890, participaram o cardeal belga e nove bispos da Bélgica, da França, da Espanha, da Inglaterra e da Alemanha. Além dos bispos, se encontravam ali delegações da Alemanha, da França, da Inglaterra, da Suíça, da Áustria, do Portugal, da Itália.

Papa Leão XIII

 

 

 
Chegou o ano de 1891 e a parução da Encíclica “Rerum Novarum”, do papa Leão XIII.Duas questões importantes foram abordadas: a legitimidade das greves e a legitimidade das reinvidicaçoes dos operários, mas não foram discutidas pelo Congresso, porque se achava que faltava estudos a este respeito.

Esta Encíclica retomava a questão da legitimidade das reinvidicações dos operários e da mesma maneira que foi apresentada no Congresso de Liège do ano anterior. Essa Encíclica não foi aceita por muitos católicos.

 

 

 

 

 

"Das coisas novas"

“Das coisas novas”

 

 
No discurso de abertura do Congresso das Obras Sociais de Liège, de 1887, o Bispo Dom Doutreloux disse: “Um dos mais importantes industriais de minha diocese, pediu que eu colocasse no programa do Congresso, a questão de saber se não seria oportuno de criar uma obra de ‘Padres do Trabalho’”, que estariam em contato direto com os trabalhadores e formariam, de certa forma, uma obra de “Propagação da Fé no meio operário”. O bispo continua dizendo que a ideia não é tão teórica e que se poderia pensar. É assim que foi criado o nome de “Aumônier du Travail”.Quando chegou a Encíclica “Quadragésimo Anno”, um comunista francês criticava os católicos dizendo: “Não são as encíclicas que nós censuramos, mas o desprezo com o qual vocês a trataram”.

Pe Joseph Jean Victor Henrotte, MO

Não é possível compreender a fundação da Congregação dos Missionários dos Operários, “Os Padres do Trabalho”, sem entender a situação religiosa, social e econômica da Europa e da Bélgica em particular no século XIX. Por muito tempo, a Bélgica, fiel a seu passado, estava profundamente cristã, até na sua legislação. Em 1879, foram promulgadas leis que tiravam do ensino primário seu caráter cristão, o que forçou os bispos a deslanchar um movimento violento de reação. A Bélgica considerou o Núncio Apostólico “personna non grata” e rompeu suas relações com Roma.
O Governo tomou atitudes anticlericais, o que provocou uma onda de descristianização. Pio XI reconheceu que a grande falta da Igreja no século XIX foi de ter deixado o povo se separar da Igreja. Uma das razoes dessa situação foi o fato de que a Igreja não se posicionou na defesa da justiça cristã. A modernização da indústria levou à falência muitas pequenas oficinas, o que acabou com as antigas corporações que defendiam os direitos dos operários. Nas grandes indústrias imperava a lei da oferta e da demanda. O que importava era o lucro a qualquer custo. O salário mínimo não era assegurado; o que valia era diminuir o salário e aumentar o tempo de trabalho. Quem tomou a defesa dos operários, naquele tempo, contra os abusos do capitalismo foi o socialismo e o comunismo. Isso levou ao movimento de greves de 1886. Os patrões, muitos católicos, achavam que a organização econômica que assegurava seus benefícios era a única possível. Eles se recusavam a reconhecer os sindicatos.

Pe. Joseph Jean Victor Henrotte é pioneiro da Congregação dos Missionários dos Operários. no Brasil. Junto com os coirmãos Pe. de Man e Pe. Staf Schoovartz, inJeffhenrotteiciou as obras apostólicas dos MO’s em novembro de 1963, na antiga fazendinha do Caladinho, em Coronel Fabriciano. Três anos mais tarde (1966), volta para sua terra natal, Bélgica, até se aposentar no Ensino Profissionalizante. É missionário em Conselheiro Lafaiete desde 1991, prestando incansável serviço pastoral especialmente nas Comunidades mais afastadas, na pastoral paroquial e, depois de alguns anos, na desafiante Pastoral Carcerária. Aos 83 anos, é exemplo de que a árvore plantada à beira do Rio da Vida não seca e não murcha, mas permanece cheia de seiva e de frutos abundantes. Os Missionários dos Operários da Comunidade Brasileira se orgulham de sua presença luminosa e seu testemunho arraigado no seio de nossa fraternidade.  

Qual era a atitude dos bispos naquele momento? O bispo de Liège, Dom Doutreloux, organizou em 1887, 1888 e 1890 três congressos de “Obras Sociais”. O padre jesuíta, van Tricht, na ocasião de uma conferência em Antuérpia, depois das greves violentas de 1886 não propõe as reformas políticas e econômicas necessárias. Ele se contenta em fazer um apelo à consciência dos patrões cristãos e dos cristãos em geral. Diante de uma comissão de inquérito, ele só apresenta os fatos de exploração:

– jornada de trabalho pesado, por um salário derisório;

– horas de trabalho estendidas sem medida;

– operários machucados, aleijados no canteiro de obras e despedidos sem nenhuma compensação;

– contratos de quinzenas injuriosamente violados;

– o trabalho recusado, não pago, mas que mesmo assim é vendido;

– as lojas do patrão, onde se vende ao operário mercadorias alteradas;

– mulheres que tomam o lugar do homem, porque seu salário é menor;

 

– crianças de até 10 e 8 anos que passam a noite diante de teares, obrigados a cantar, para não adormecerem;